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Macro — Análise

Fiscal e monetário: a tensão que define o ciclo econômico brasileiro

Por Dr. Carlos Mendonça · 27 jul 2026 · 10 min de leitura
Resumo Executivo

A interação entre política fiscal expansionista e política monetária contracionista é o principal vetor de risco para a economia brasileira em 2026. Enquanto o governo amplia gastos, o BC mantém juros altos — e o mercado cobra esse desequilíbrio via câmbio e prêmio de risco.

O dilema fiscal

O Brasil enfrenta um dilema estrutural: a necessidade de crescimento econômico pressiona o governo a expandir gastos, mas a expansão fiscal em um ambiente de inflação acima da meta força o BC a manter juros altos. Esse ciclo vicioso é o principal obstáculo para a normalização da política monetária.

O déficit primário do setor público consolidado atingiu 1,8% do PIB em 2025 e a projeção para 2026 é de 1,5% — ainda acima da meta de resultado primário zero estabelecida pelo arcabouço fiscal. A trajetória de dívida pública, que deve alcançar 90% do PIB até 2028, é monitorada de perto pelos investidores estrangeiros.

A resposta do mercado

O mercado precifica o risco fiscal via dois canais principais: o câmbio e os juros longos. Quando as notícias fiscais pioram, o dólar sobe e as taxas dos títulos longos abrem — aumentando o custo de rolagem da dívida e criando um ciclo de retroalimentação negativa.

Para que esse ciclo seja quebrado, é necessário um ajuste fiscal crível e sustentável. O mercado não está convicto de que isso ocorrerá antes das eleições de 2026 — e essa incerteza é o principal fator de risco para os ativos brasileiros no segundo semestre.

Dr. Carlos Mendonça
Economista-Chefe
PhD em Economia pela FGV-EPGE. Pesquisador de política monetária e macroeconomia brasileira há 18 anos.